Rui Costa analisou o resultado da primeira volta das eleições do Benfica, onde, apesar de vencer, não conseguiu alcançar a maioria absoluta. O presidente encarnado, que se recandidata ao cargo, mostrou-se satisfeito com o voto de confiança e garantiu que continuará focado na liderança do clube.
“Peço desculpa por terem estado aqui toda a noite, mas não falaria sem conhecer os resultados. Agradeço a todos os benfiquistas por este dia histórico e tão bonito para o nosso clube. Muito obrigado a todos os sócios que marcaram presença e também à organização deste processo eleitoral, à minha lista e aos colaboradores que se entregaram com enorme sacrifício. Sinto-me muito orgulhoso por ser benfiquista — foi uma mobilização extraordinária.”
O dirigente admitiu que a segunda volta era algo previsível: “Com seis candidatos era quase inevitável uma segunda volta. Sinto-me honrado e feliz pelo voto de confiança. Era difícil alguém vencer logo à primeira, mas estou extremamente orgulhoso e confiante. Não são 60% de votantes que não confiaram em mim, são 58%. Também há 70% que não confiaram no outro lado — é uma questão de contas.”
Rui Costa garantiu que vai continuar a sua campanha sem negociar apoios: “Conto com todos os benfiquistas e não penso nos outros candidatos. Foram eles também que proporcionaram este envolvimento. Vou prosseguir a campanha. Não falei com ninguém, nem recebi contactos — estive com a minha família e a minha lista. Não se festeja algo que ainda não se concretizou.”
Sobre a possibilidade de João Noronha Lopes abdicar da segunda volta, respondeu: “Seria uma pena. Todos gostaríamos que terminasse já para o clube se focar, mas era inevitável e fácil de prever. Teremos mais 15 dias e, entretanto, continuarei a ser presidente, numa altura em que o Benfica disputa o campeonato e a Liga dos Campeões. O foco principal é esse — estamos em três competições e, dentro da minha disponibilidade, manterei o diálogo.”
Questionado sobre o processo de contagem dos votos, o líder encarnado voltou a defender a modernização do sistema: “Se houvesse voto eletrónico, tudo seria mais simples e mais gente participaria. Era uma lição evidente. A contagem foi morosa, uma operação de 24 horas, com pessoas sem conseguir votar. Contar quatro boletins por lista foi um trabalho tremendo e demorado.”
O presidente mostrou ainda orgulho na adesão dos sócios: “Todos estamos orgulhosos. Não batemos o recorde — atropelámo-lo. Gostava de o voltar a superar na segunda volta e deixo esse apelo. Não pensem que não vale a pena votar outra vez em mim.”
Sobre as projeções iniciais, Rui Costa manteve serenidade: “Os resultados oscilaram bastante, mas desde o início era clara a perceção de uma segunda volta. Nunca houve euforia. Alguns canais divulgaram números errados, mas não me assustei. São 12% de diferença e interpreto os resultados com satisfação. Com bons candidatos em campo, tive mais votos do que há quatro anos.”
Rui Costa destacou ainda o espírito democrático do ato eleitoral: “O Benfica é um clube democrático e temos orgulho nisso. É bom que cada um tenha a sua opinião. O dia eleitoral merece elogios — não houve incidentes entre adeptos de diferentes listas. Que a segunda volta decorra da mesma forma. No fim do dia, somos todos Benfica.”
Quanto aos debates, garantiu disponibilidade total: “Estou sempre aberto a discutir o Benfica com todos os benfiquistas.”
O presidente comentou ainda as votações dos jogadores e a relação com o treinador: “Não sei qual é o ponto dessa questão. Os jogadores sempre votaram. Se calhar, devíamos ter eleições antes de cada jogo — correu bem. Só falei com José Mourinho sobre o jogo de ontem. O treinador tem de se focar na equipa, não nas eleições, e criar uma bolha de trabalho. Não desliguei o telemóvel porque praticamente não dormi. Hoje não irei ao Benfica Campus.”
Sobre a ligação entre as eleições e o ambiente no estádio, explicou: “Tinha apelado para que as eleições decorressem fora do estádio. Os adeptos e a equipa estiveram fantásticos — jogaram bem e tudo correu da melhor forma. Apesar de tentarmos criar uma bolha, é impossível ficar indiferente a tanta mobilização.”
Por fim, deixou uma mensagem de unidade e estabilidade: “O Benfica precisa de estabilidade, independentemente de quem vença. É normal algum frenesim eleitoral, mas quem ganhar deve unir a família benfiquista e quem perder não pode contribuir para a divisão.”






















