Morreu esta quinta-feira a princesa Irene da Grécia, irmã mais nova da Rainha Sofia de Espanha, aos 83 anos. A Casa Real espanhola emitiu um comunicado a confirmar a morte da princesa, que sofria há dois anos de uma doença cognitiva. “Suas Majestades o Rei e a Rainha e Sua Majestade a Rainha Sofia lamentam anunciar o falecimento de Sua Alteza Real a Princesa Irene da Grécia, às 11h40 de hoje, no Palácio da Zarzuela, em Madrid”, diz a nota enviada às redações.
A morte é confirmada apenas um dia depois da Rainha Sofia pedir que a sua agenda da semana fosse cancelada, o que fez a imprensa espanhola especular que o estado de saúde de Irene estava a agravar-se. A última aparição pública da princesa Irene foi em fevereiro de 2025, no casamento do sobrinho e afilhado, o príncipe Nikolaos da Grécia, com Chrysi Vardinogiannis. Na companhia da irmã e da sobrinha, a infanta Cristina, Irene chegou numa cadeira de rodas — uma imagem frágil que já tinha chamado a atenção da imprensa espanhola no verão de 2024 e em dezembro, quando foi com a Rainha emérita a um concerto de Natal. Em agosto, Sofia foi a Palma de Maiorca apenas para participar da tradicional receção da família real espanhola no Palácio Marivent, regressando a Madrid no dia seguinte alegadamente para acompanhar a irmã mais nova, que já apresentava um estado de saúde delicado.
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Em 2002 Irene enfrentou um cancro da mama e passou por um tratamento de quimioterapia. Contudo, há quase três anos que o seu estado de saúde tem vindo a agravar-se, o que a imprensa espanhola dizia ser uma doença cognitiva. Alguns órgãos de comunicação social chegaram a alegar que Irene sofria de Alzheimer, entretanto a Casa Real nunca confirmou o diagnóstico.
Irene era a principal companhia e confidente da Rainha Sofia, especialmente depois da separação de Juan Carlos, que vive num exílio autoimposto em Abu Dhabi desde 2020. Nunca se casou nem teve filhos, mas viveu especialmente próxima dos sobrinhos, que a chamavam Pecu, uma alcunha carinhosa para dizer que a tia era peculiar. Irene era a mais nova dos três filhos dos Reis Pablo e Frederica da Grécia, nasceu a 11 de maio de 1942 durante o exílio dos pais na África do Sul por causa da II Guerra Mundial. A família só regressou à Grécia em 1946 — um ano depois Pablo tornou-se Rei.
Em 1973, entretanto, Irene viu-se apátrida, quando o irmão, Constantino II, foi deposto. Então, a princesa mudou-se com a mãe para a Índia, onde converteu-se ao budismo, adotou uma alimentação vegana, teve o primeiro contacto com práticas como a yoga e passou a usar peças étnicas como saris e com padrão paisley. Depois da morte da mãe, nos anos 1980, foi viver com a irmã em em Zarzuela, onde tem um apartamento próprio e passou a ser a principal companhia da Rainha Sofia, com quem partilha interesses como a crença em óvnis, recorda o Lecturas. Em 2018 a princesa renunciou à cidadania grega para receber a nacionalidade espanhola.
Irene também ficou conhecida pelo envolvimento em causas solidárias e ambientais. A indemnização de cerca de 900 mil euros que recebeu do Estado grego em 2002 foi totalmente doada para a fundação Mundo em Armonia, que criou em 1986 e encerrou no final de 2023, na altura em que se tornaram públicas as questões de saúde de Irene. Uma das suas primeiras ações solidárias à frente da ONG foi embarcar num avião com quase 100 vacas, transportadas da Alemanha até a Índia. O objetivo: evitar que os animais fossem sacrificados por uma política da Europa e pudessem alimentar a população no país onde viveu por mais de dez anos. “Alguns vão me chamar de ‘a maluca das vacas’, mas se vissem o que uma vaca leiteira significa para essas pessoas, todos elogiariam as minhas ideias malucas”, disse a princesa Irene à revista Hola! naquele ano. Entretanto, a fundação também centrou-se em apoiar projetos educativos, de luta contra a adição em drogas e de suporte à Cruz Vermelha em situações de desastres naturais, como o sismo no Marrocos em 2023.






